Capítulo 4


Acordei em um lugar escuro e silencioso. Por um segundo fiquei confuso, pois não lembrava como havia parado ali. Porém tudo voltou a mim como um carro me atropelando.

Tentei me levantar, mas meu corpo doía e eu estava muito tonto. Ao tocar em minha cabeça percebi que ela estava enfaixada. Também consegui perceber que estava em casa, em meu quarto.

Eu levantei devagar e fui procurar minha mãe, porém, estava sozinho. O relógio da cozinha marcava 10:30 da manhã. Na mesa da sala havia um esquema de horários e vários remédios.

Minha mãe costumava escrever nossos nomes e os horários dos remédios que devíamos tomar nas caixas. Todas elas tinham meu nome.

Eu não sabia ao certo o que estava acontecendo. Ali parecia ter remédios suficientes para anestesiar um cavalo! Embora estivesse sentido dor, aquilo parecia desproporcional.

Eu me sentia um tanto desconectado com tudo ao meu redor. Metodicamente comecei a arrumar a casa. Fazer as camas, arrumar a cozinha e até preparar o almoço. Logo escutei chaves e a maçaneta da porta da frente.

Encontrei com minha mãe na porta da cozinha. A expressão dela passou de alívio para raiva muito rápido.

“Moleque irresponsável!” Bateu-me com a bolsa.

“O que foi que eu fiz? Eu acordei não tem nem uma hora!”

“Eu sempre te digo para usa capacete quando sair para andar naquele maldito skate!”

Por um segundo fiquei paralisado. Não sabia o que ela queria dizer.

“O que aconteceu?” Perguntei.

“Você caiu...”

“Eu não caí.” Interrompi. Comecei a me sentir enjoado.

“Doutor Leonardo disse que esse poderia ser um sintoma...” Segurou-me pelo rosto.

“Do que você está falando?”

“Antes tome seu remédio.” Entregou-me uma das caixas.

Estava nervoso demais para pensar. Engoli o comprimido ali mesmo, sem água.

Nós nos sentamos no sofá. Ela parecia bastante nervosa com a situação.

“Ontem, no parque, parece que você caiu. Bateu a cabeça no chão e desmaiou.”

“Eu não caí.” Repeti. Porém já não tinha tanta certeza.

“Allana ligou para o pai e eles conseguiram te levar para o hospital a tempo. Quando eu cheguei lá, Doutor Leonardo disse que não foi nada demais, mas que é bom ficarmos de olho para qualquer sequela.”

“Allana...”

“Uma santa, graças a Deus! Não sei o que poderia ter acontecido se ela não estivesse lá.”

Minha cabeça começou a doer, mas não por causa de uma queda. Parecia por pura confusão.

“Não se preocupe mais com isso, só tome seus remédios e vamos tomar cuidado. Graças a Deus aquela coisa quebrou.”

Queria fazer mais perguntas, porém ela me mandou ir descansar. Ela terminou o almoço e logo depois voltou para o trabalho.

Mais uma vez estava confuso e sozinho. Fui ao banheiro e tirei a bandagem da cabeça. Não havia nenhum ferimento aparente, pontos ou qualquer machucado. Tinha certeza absoluta que não havia caído. Algo havia acontecido com Allana e ela estava tentando esconder.