Capítulo 24


O combinado era que o dia seguinte a Alvorada de Aram, Fernando e Sol iriam até minha casa para conversarmos com minha mãe sobre viajar. Fernando, porém, não havia conseguido se recuperar da festa à tempo, deixando a tarefa para Sol.

Ela chegou ao meu apartamento com uma postura de adulta responsável, além disso, trazia uma pasta e um sorriso confiante.

“Marisol, como é bom vê-la! Faz tanto tempo que não nos encontramos!” Minha mãe a cumprimentou feliz. Ela sempre havia gostado muito de Sol.

“É maravilhoso ver a senhora de novo. De fato, faz muito tempo. Sabe como anda a vida, não? Muito atarefada!”

“Demais! Esse final de ano...” Indicou Sol o sofá. “Mas agora me fale sobre essa viagem. Cauã falou um pouco, mas nada muito concreto.”

“Bom, eu e Nando somos velhos amigos e de tempos em tempos nós nos reunimos com outros amigos para... um retiro artístico, por assim dizer.”

Minha mãe pareceu não entender.

“Eu não sabia que você era artista.”

“Eu sou artista marcial.” Sorriu. “Isso conta!”

“Isso é realmente interessante, mas ainda não entendi muito bem.”

“Bom, nós temos alguns amigos em Manaus que de vez em quando nos convidam para passar alguns dias por lá. Esse ano, eles organizaram uma grande festa de Ano Novo.” Disse. “Fernando achou que seria uma viagem legal para Cauã. São todos músicos excepcionais, alguns dão aula das mais variadas artes.”

Agora sim minha mãe pareceu gostar.

“E o que tem para você lá?” Perguntou curiosa.

“Alguns outros artistas marciais. Em especial Luca. Um ótimo gancho de direita. Um pouco previsível depois de tantos anos. Além disso, um pouco lento nas pernas!”

Minha mãe riu muito ao ouvir aquilo. Mesmo que não tivesse tido nenhuma graça.

“Bom, ele nunca viajou assim, sozinho com amigos. E não gosto da ideia de viajar de carro.”

“Eu entendo completamente. Imaginando esse cenário, preparei para a senhora um itinerário completo de nossa viagem.” Tirou da pasta um enorme maço de papel. “Todos os nossos números de telefone, além das pousadas e hotéis que vamos ficar até Manaus, datas e horários estimados das partidas e chegadas. Além de tudo isso, Allana irá conosco.” Parecia que aquilo havia convencido ela de vez.

“Se doutor Leonardo está deixando ela ir, não vejo por que não.” Deu de ombros, embora não parecesse satisfeita.

Admito que fiquei chocado com a facilidade com a qual ela foi convencida.

“Eu tenho outro compromisso, se não se incomodarem...”

“Claro que não, não se preocupe.” Minha mãe se levantou. “Marisol, que tal um café? Para botar o assunto em dia!”

“Eu adoraria.”

Deixei que as duas conversassem e fui finalizar minha última tarefa antes de viajar. Voltei para a floricultura para falar com Vitória.

Ela trabalhava em arranjos para um casamento e estava imensamente feliz, pois os noivos deixaram que ela fizesse o que achasse melhor. Fiquei surpreso ao ver tantas rosas. Elas, porém, vinham acompanhadas de outras lindas flores.

“Ocupada?”

“Cauã!” Sorriu. “Para você, nunca!”

“Vim dar... notícias.”

Ela me olhou com curiosidade.

“Boas, espero.”

“Não sei exatamente! Vou viajar por uns tempos. Uma ou duas semanas, acho.”

“Ah... Nossa, por um segundo achei que seria algo ruim! O que vai fazer?”

“Lembra daquelas minhas aulas? Então, meu professor me convidou para irmos a Manaus para o Ano Novo. Algo como um retiro intensivo com outros artistas.”

A expressão dela se iluminou em um largo sorriso.

“Eu adoro Manaus!” Disse animada. “A cidade é tão linda! Me diga que você irá ao Teatro Amazonas!”

“Está nos nossos planos.”

“Que legal! Espero que se divirta muito! Quando vai?”

“Logo depois do natal.”

“E quanto tempo ficará por lá?”

“Não sei ao certo, mas julgaria algo em torno de duas semanas.”

“Bastante tempo...” Ela sorriu e passou os braços ao redor do meu pescoço. “O que quer dizer que temos que aproveitar esses dias.”

Ela me deu um beijo nos lábios que pareceu fundir meu cérebro. Logo percebi que isso aconteceria sempre.